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Entre Saudade e Esperança

Publicado em 02/11/2025 às 01:15 em Comentários.
• Escrito por Dom Erio Castellucci.
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Entre Saudade e Esperança

Este dia desperta emoções diferentes em nossas almas, dependendo da experiência que cada um de nós teve com a morte: e não é um paradoxo falar em "experimentar a morte", porque ela é nossa companheira de viagem e todos nós a sentimos, embora de maneiras diferentes. Aqueles que foram mais afetados pela perda de entes queridos, às vezes de forma repentina e prematura, vivenciam hoje um dia muito triste, no qual feridas que nunca foram perfeitamente curadas são reabertas; aqueles que ainda não sofreram perdas graves são, no entanto, lembrados da realidade do fim da existência. Visitar os cemitérios, que ficam muito cheios nessa época do ano, transmite uma estranha tensão entre a vida e a morte: a vida, simbolizada pelas cores das flores e pelo movimento das muitas pessoas que caminham entre os túmulos; o enigma da morte, simbolizado pelas lápides e memórias que envolvem os corpos dos mortos.

A experiência de visitar cemitérios é muito educativa. Além de elevar quase espontaneamente uma oração por nossos entes queridos, ela nos coloca em contato com esse hóspede incômodo que é a morte. A tendência a marginalizar a morte, a evitar falar sobre ela, de nem mesmo pensar nela, como se ignorá-la nos ajudasse a viver melhor, está muito presente.

A sabedoria bíblica, por outro lado, sugere que também devemos pensar sobre a morte: não de forma obsessiva, é claro, mas de modo a mantê-la presente no horizonte de nossas vidas. Censurar a morte não leva, de fato, a uma vida melhor: simplesmente leva à distração, à vertigem por certo tempo; mais cedo ou mais tarde, porém, todos devem se conformar com esse enigma, porque a experiência do desaparecimento de entes queridos infelizmente não poupa ninguém. "Tu te arrebatas, são como um sonho: ao amanhecer, como a erva que germina; de manhã, floresce e cresce; de tarde, cai e seca" (Salmo 90[89],5-6). Em resumo, a morte não está tão longe de nós quanto gostaríamos.

Levar em conta a perspectiva da morte, medir nossa existência nesse horizonte, nos ajuda a avaliar melhor o que realmente conta na vida: somente o amor conta. A morte poderia ser comparada a um filtro; um filtro bastante espesso, pelo qual quase nada passa: não passam bens materiais, honras ou títulos... A morte é um filtro que retém tudo: tudo, exceto o amor. Somente o amor passa pelo filtro da morte, porque o amor, como nos garante a tradição cristã, é maior que a morte e a supera. O amor de Jesus na cruz, que parecia dominado pela violência e, por fim, sepultado com a morte, era, na verdade, mais forte do que a morte e a venceu com a ressurreição.

A partir da fé na ressurreição de Jesus, que é o pivô de toda a fé cristã, a esperança é reaberta para nós também: e se, como Jesus diz, até mesmo um copo de água fresca dado a uma pessoa sedenta será recompensado no Reino de Deus, então cada gesto de amor que fazemos, mesmo o menor e mais oculto, está para sempre gravado em nossa história. Não há lágrima que não seja enxugada, tristeza que não seja consolada, sacrifício que não seja recompensado, alegria que não seja plena. Aguardar a ressurreição da carne é acreditar que nossa vida corpórea, concreta e cotidiana será bem-vinda e preenchida para sempre com o amor de Deus.

Quanto mais os anos de nossa vida avançam, menos a morte nos assusta: porque de ano em ano aumenta o número de amigos que entram na outra dimensão com a morte; e a ideia de deixar esta existência e encontrá-los no abraço do único Pai começa a se tornar mais familiar para nós. Talvez nunca consigamos, como São Francisco, falar da "irmã morte", mas podemos conseguir, cultivando a fé, não nos desesperar diante da ideia de que a vida terrena termina, para manter acesa a luz da esperança, mesmo nesse mistério sombrio que é a morte.

Rezar pelos mortos, hoje, significa também pedir uma fé mais sólida na vida eterna e um compromisso mais convicto com o amor: se tentarmos amar, não temos nada a temer, porque o abraço do Pai e de nossos entes queridos será tanto mais intenso quanto mais tivermos amado.

Fonte: O Pão Nosso de Cada Dia: Subsídio Litúrgico-Catequético. Ano XX, nr. 239 - novembro 2025, p. 12 - 13.
Crédito da imagem: Vatican News.


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