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Comentário do Evangelho da Solenidade da Epifania do Senhor

Publicado em 04/01/2026 às 06:30 em Comentários.
• Escrito por Padre Doutor Antônio José de Almeida.
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Comentário do Evangelho da Solenidade da Epifania do Senhor
A Igreja celebra hoje, 04 de janeiro, a Solenidade da Epifania do Senhor. Epifania significa "manifestação" e carrega, como significado, o encontro de Deus com a humanidade. Deus vem ao nosso encontro de maneira única: em Jesus e se manifesta a Nossa Senhora e São José, que são membros escolhidos do povo de Israel. Manifesta-se aos magos, homens pagãos, que não pertencem ao povo de Deus. Tudo isso significa que a revelação de Deus em Jesus é para todos, não meramente para um determinado grupo, etnia etc. Ele é a luz dos povos!

A Semente na Terra - Mt 2,1-12

Somente Mateus e Lucas apresentam o que chamados "Evangelho da Infância", narrando os acontecimentos que precederam o nascimento de Jesus. Cada evangelista tem uma intenção teológica e uma mensagem que quer ensinar aos leitores, por isso, também as narrativas apresentam algumas diferenças. Mateus não se preocupa muito em descrever os detalhes do nascimento de Jesus. Enfoca a reação de diferentes grupos de pessoas à chegada do Messias, descrevendo Jesus como o novo Jacó, o novo Moisés e o novo Davi.

- Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes:

Em Lucas, são os pastores que prestam reverência ao recém-nascido. Mateus escreve para comunidades mistas, que tinham judeus mais radicais à Lei, judeus que não tinham nascido em Jerusalém e gentios convertidos. Portanto, mostra um ensinamento precioso: são observadores das estelas estrangeiros, os magos, que vão reconhecer a grandeza do nascimento de Jesus. Eles vêm para adorá-lo e com presentes! Assim, o Evangelho de Mateus começa a ensinar que acolher Jesus como o Messias não depende de etnia. A luz está no meio da humanidade e todos podem ser iluminados por ela!

- Alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém:

A história dos Magos sempre impressionou a cultura dos grandes e a piedade dos pequenos. O texto os chama de "magos", mas tornaram-se 'reis', por influência de Is 60,3 e do Sl 72,10ss. O texto não os quantifica, mas, na tradição, são contados 'três', em correspondência aos três dons que oferecem, conhecidos como Baltazar, Melquior e Gaspar. Ampliados simbolicamente, representam Sem, Cam e Jafet, os três filhos de Noé, toda a humanidade, raiz ancestral da Igreja.

- Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado assim como toda a cidade de Jerusalém:

Há duas reações muito diferentes ao nascimento do menino em Belém. Por um lado, estão os estrangeiros a adorá-lo, reconhecendo sua majestade. Por outro lado, o rei judaico Herodes e Jerusalém, a cidade da promessa, ficaram perturbados. Ninguém sabe exatamente onde o Messias nasceu! Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei eram representantes oficiais da religião no tempo de Jesus e, logicamente, deveriam ser os iluminados pela ciência divina, sem dúvida conhecedores sobre o que se referia ao Messias e os primeiros a reconhecer sua chegada. Mas a estrela não apareceu para eles, porque ela não está condicionada à posição religiosa que alguém ocupa. Não se aceita a chegada do Messias pelo cargo que se tem, mas pelo coração aberto, que espera a vida do Salvador.

- Belém, da Judeia:

O consenso é que o Messias deveria chegar em Belém. O Salvador não está perto de Herodes ou de Jerusalém. Resgata-se uma antiga profecia que dizia que o Messias estaria ligado à cidade de Belém, muito conhecida desde a antiguidade por ser a casa de Davi. Aqui está a beleza do texto. A perseguição do menino por Herodes lembra a histórica bíblica de Moisés e a matança das crianças feita pelo Faraó. O leitor judaico também se lembraria da história que os sábios contavam quanto ao nascimento de Jacó, que não está na Bíblia, mas ficou enraizada na sabedoria judaica, muito parecida com o nascimento de Jesus. Temos, então, três grandes figuras do Antigo Testamento que ajudam a compreender a história de Jesus: Jacó, Moisés e Davi. Jesus será apresentado no Evangelho de Mateus como o pai de um novo povo, superando Jacó, como a verdadeira Lei, superando Moisés e como rei dos reis e bom pastor, superando Davi. Deus olha para as expectativas dos homens, mas a luz que ele oferece é muito maior!

- E a estrela ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino:

Herodes manifesta o desejo de adorar o menino, mas sua intenção é outra. O Evangelho de Mateus deixará isso muito claro ao narrar a matança dos inocentes (cf. 2,13-18) feita por este rei judaico. Somente aqueles que carregam um coração sincero conseguem reconhecer os sinais de Deus que conduzem à salvação. Os magos são guiados pela estrela, que era interpretada no judaísmo como um símbolo messiânico e também escutam a voz divina falando com eles em sonho.

- Ouro, incenso e mirra:

Segundo a interpretação alegórica dos Padres da Igreja, o ouro representa a realeza de Jesus; o incenso, sua divindade; e a mirra, sua paixão. De qualquer forma, esses presentes preciosos são um sinal de que estrangeiros reconhecem a divindade e a glória da luz que veio também para eles. Por isso, entregam o que têm de belo, mas reconhecendo que diante deles está uma beleza muito maior. É o dom de si. Da mesma forma, a profecia de Isaías, recordando a visita da rainha oriental de Sabá a Salomão, já dizia que "Uma horda de camelos te inundará, os camelinhos de Madiã e Efa; todos virão de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando os louvores do Senhor" (Is 60,6).

A festa de hoje é um convite a fazermos de novo a caminhada dos Magos, como se não soubéssemos ainda "onde" está o Salvador. É preciso fazer em primeira pessoa a trajetória dos Magos, enfrentando as noites da vida e da alma, os desejos e as dúvidas, as esperanças e as incertezas, guiados por uma 'estrela', que, no seu ziguezague, aparece e desaparece. Para não virarmos aqueles escribas e sacerdotes que sabiam de tudo sobre o Senhor e davam a pista para matá-lo ou Herodes, que não sabia de nada, mas tinha poder para matá-lo e, assim, preservar seu poder. É preciso tomar o caminho dos Magos e deixar-se possuir pelo coração dos Magos: o caminho do amor, que, através da busca da inteligência e da revelação, da alegria e da adoração, chega ao dom de si. Só assim nascemos Nele e Ele em nós.

Fonte: O Pão Nosso de Cada Dia: Subsídio Litúrgico-Catequético Diário. Ano XXI, nr. 241 - Janeiro 2026, p. 17-18.
Crédito da imagem: Arquidiocese de Sorocaba.


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