Todos os Santos e Santas de Todos os Povos, Culturas e Religiões
Publicado em 01/11/2025 às 07:00 em Comentários.
• Escrito por Dom Erio Castellucci.
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Colocar as estátuas dos santos em pedestais e nichos não nos ajuda a entender o significado da festa de hoje, a festa de Todos os Santos. Não nos ajuda porque os santos renunciaram aos pedestais em suas vidas e, em vez disso, escolheram se colocar aos pés de Deus e de seus irmãos e irmãs; eles perceberam que não vale a pena preservar a vida para si mesmos, mas gastá-la para o Senhor e para o próximo. O excesso de pedestais disvirtua a figura desses irmãos e irmãs que, em vez disso, eram pessoas como nós, com seus méritos e limitações, com os dons e pecados que também nós experimentamos. Os santos e santas não são aqueles que nunca pecaram, mas - como escreveu uma delas, Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face - aqueles que "aceitam suas imperfeições com serenidade" e que tem a coragem de se levantar depois de cair.
Há todos os tipos de santos: alguns foram fiéis ao Senhor durante toda a vida, enquanto outros viveram longe de Deus por muito tempo e depois se converteram; alguns morreram muito velhos, enquanto outros morreram com pouca idade; alguns vieram de famílias ricas e abastadas, enquanto outros vieram de famílias pobres ou foram até mesmo escravos; alguns eram muito cultos e inteligentes, enquanto outros não nem sabiam ler ou escrever; alguns eram casados e outros solteiros; alguns tinham um caráter calmo e outros eram muito agitados e rápidos em se irritar. Em resumo, a santidade não tem fronteiras: ela atravessa todas as classes sociais, idades, condições culturais, temperamentos e situações. A santidade na Igreja e além dela está realmente ao alcance de todos.
Sim, porque esse é significado mais profundo da festa de hoje: não tanto o dever de honrar pessoas que não precisam. Se a Igreja nos apresentasse apenas a figura de Cristo e de Maria como modelos, seríamos tentados a inventar desculpas e dizer: "Eles não tinham pecado, enquanto nós estamos imersos em nossos limites"> Em vez disso, ao nos apresentar seres humanos que são iguais a nós em todos os aspectos, incluindo a ferida do pecado, somos incentivados a seguir seus passos e, como eles, a nos levantar quando caímos. Todos somos chamados à santidade, e tenho certeza de que há santos entre nós. Talvez nenhum de nós seja canonizado e acabe em altares e calendários, mas certamente todos nós estamos no caminho da santidade: pois há muitos, muitos e mais santos do que aqueles - já numerosos - que foram reconhecidos como tais pela Igreja. Os santos são todos aqueles que povoam o paraíso, ou seja, que estão em plena amizade com Deus: há também os justos que não conheceram Jesus, mas que, tendo-o servido naqueles que têm fome, sede e sofrem, ouviram-no dizer "Vinde, benditos de meu Pai" (cf. Mt 25,31-46); há os pobres em espírito, os mansos, os aflitos, os perseguidos por causa da justiça (cf. Mt 5,1-12); certamente há também nossos parentes e amigos, e muios que conhecemos pessoalmente.
Acredito que todos já se depararam em alguma ocasião com santos que, na época, não pareciam ser assim. Mas, acima de tudo, encontramos testemunhos diários de santidde, ou seja, de sacrifício, dedicação e fidelidade em paróquias, lares, hospitais e tantos outros ambientes. Os santos são pessoas comuns, aquelas que não são notadas, aquelas que silenciosamente passam a vida dia após dia tentando amar o Senhor e seus irmãos e irmãs na situação em que se encontram.
Por fim, lembrar-se dos santos significa agradecer ao Senhor pelo que ele é capaz de fazer naqueles que se confiam a Ele. Em face do sentimento generalizado de que o tempo e a energia que se gasta livremente para amar a Deus e aos irmãos e irmãs são desperciçados - as mensagens provenienes da mentalidade generalizada nos convidam a pensar em nós mesmos e a não desperdiçar tempo com o Senhor e com os irmãos e irmãs - os santos demonstram com as suas vidas que o oposto é verdadeiro.
Leno algumas das biografias desses amigos e amigas de Deus, temos a sensação de que cada um deles viveu mais de uma existência, tamanha a intensidade com que amaram e a marca que deixaram no coração de tantos; quase parece que a vida dos santos é uma vida "multiplicada", uma vida tão densa que parece impossível transcorrer no espaço de alguns anos ou décadas. Isso se deve ao fato de que quanto mais alguém se entrega a Deus e aos outros vive mais intensamente: aqueles que pensam apenas em si mesmos é que vivem na superfície, perdem tempo e, por fim, também perdem o significado das coisas que fazem, porque não criaram raízes. Peçamos hoje ao Senhor o dom da santidade, para que possamos viver cada dia com a intensidade de quem ama livremente.
Fonte: O Pão Nosso de Cada Dia: Subsídio Litúrgico Catequético Diário. Ano XX, nr. 239 - Novembro de 2025, p. 07-08. Crédito das imagens:
- Todos os santos: Formação Canção Nova.
- Dom Erio Castellucci: Observatório Bíblico: Blog sobre estudos acadêmicos da Bíblia.