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Comentário do Evangelho do 2º Domingo do Advento, Ano A - São Mateus

Publicado em 06/12/2025 às 14:00 em Comentários.
• Escrito por Padre Antônio José de Almeida.
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Comentário do Evangelho do 2º Domingo do Advento, Ano A - São Mateus
O Advento é o tempo de preparação para a vinda de Deus e do seu Reino. No Natal. No fim dos tempos. Em cada momento de nossa vida e da vida do mundo. Advento, por isso, é tempo de conversão: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Tempo de revisão de vida, de mudança de rumo, de volta para Deus e para os irmãos e irmãs.

A Semente na Terra - Mt 3,1-12

Mateus insere o início da missão de João Batista logo após narrar o nascimento e infância de Jesus e seu retorno do Egito. Ambos os fatos são momentos de cumprimento das promessas messiânicas, que se realizam em múltiplas dimensões. Com isso, une a história do povo de Israel e evidencia o tempo especial que todos vivem, tempo de concretização da esperança e realização das promessas divinas.

- Naqueles dias: Provavelmente resgata Mt 2,1, referindo-se ao nascimento de Jesus. Esta expressão era usada no Antigo Testamento para anunciar uma intervenção divina especialmente em vista do fim dos tempos (Jr 3,17-18; Jl 3,2).

- João Batista: É a figura que une o Antigo ao Novo Testamento. Em Malaquias, o último dos profetas, diz-se que Elias – o maior dos profetas para o povo judeu – voltará, o que era esperado por todos os judeus (Ml 3,23-24) e posteriormente, Jesus relaciona sua figura com João Batista (Mt 17,12-13). Os rabinos ensinavam que Elias está voltando toda vez que nasce um novo Profeta.

- Pregando no deserto da Judéia: Mateus está preocupado com o que João diz, mais do que com sua função de batizador, inserindo-o como um elo que resgata a pregação dos profetas, mas que também anuncia o cumprimento dos desígnios divinos. Por isso, é um umbral, uma porta pela qual entra na história um novo tempo, tempo de salvação. Assim como o povo foi lançado ao deserto depois do Êxodo, iniciando um caminho redentor, também agora a nova história é construída a partir do deserto, lugar de perdão e onde Deus fala ao coração das pessoas (cf. Os 2,16-22).

- Convertei-vos: Trata-se de uma mudança ser humano, a metánoia, que geralmente implica um caminho de arrependimento e conversão. É um processo interno que deve se expressar nas ações. Na língua grega, metánoia significa transcendência, ir além; é a mudança de mentalidade, uma nova forma de pensar.

- Reino dos Céus: Diferente de outros evangelistas, Mateus não usa “Reino de Deus”, provavelmente escolhendo uma variante para substituir o Nome Sagrado de Deus.

- A voz que clama no deserto: Mateus resgata o profeta Isaías em tempos de esperança no exílio. Uma grande comparação para mostrar como João é uma ponte na história, mas que não pode ser confundido com o Messias: sua função é gritar a esperança que logo se manifesta em intervenção divina! João prepara o caminho; Jesus é o Caminho (Jo 14,6).

- Vestes e comida: O cinturão de couro e a cobertura feita com pelos era a mesma vestimenta de Elias e de outros profetas (2Rs 1,8; Zc 13,4). Vestir-se e comer de maneira diferente mostra que Deus os havia separado para uma missão que os ligava intimamente a Ele e, de certa forma, separava-os dos demais.

- Todos acorriam a ele: À sombra da perseguição do Messias por Herodes, do qual José e Maria (Mt 2,13-18) vão sofrer, João une todos os povos na esperança de se encontrar com o que havia sido prometido. Ali, o desejo do povo encontra a força de Deus.

- A condenação dos fariseus e saduceus: O anúncio do Reino dos Céus (repetido por Jesus em Mt 4,17 e pelos discípulos em Mt 10,7) mostra que a justiça de Deus está chegando. Este era o coração da pregação profética, representada no “Dia do Senhor”, que agora é mostrada como realidade iminente. Não há como dizer que se cumpre as regras e tudo está bom se não há conversão interior. A salvação não é conquistada pelos legalismos dos fariseus ou pelo poder dos saduceus, está reservada para os que mostram uma vida nova!

- Aquele que vem depois de mim: João Batista é modelo de anúncio, porque o que quer é mostrar a mensagem que anuncia e não a si mesmo. Sabe de seus limites e dos limites de sua missão. Ele deixa claro que o Messias está chegando, que os tempos se cumprem. Ele trará uma mudança no mundo purificando-o com o fogo e infundindo nele amor, com seu Espírito. No final do evangelho (cap. 24), Mateus volta a falar do mesmo tema, que é central: ninguém pode escapar do julgamento do Filho, Ele é capaz de transformar todas as coisas! Para os que nele creem, este momento será de aliança e pertença a Deus.

No tempo de Advento nós refletimos sobre esta passagem como um sopro de esperança diante das injustiças. Ninguém pode escapar da justiça divina, que não vem para condenar, mas para transformar o mundo desde dentro. A partir de sua ação transformadora, todos os homens são convidados a fazer o bem e deixarem que sua vida de conversão frutifique em bonitas obras de amor. A esperança ganha sentido e vida em João Batista, que não anuncia mais sobre um futuro longínquo, mas permite que todos saibam que Deus sempre cumpre suas promessas e que o tempo de Deus está próximo!

Fonte: O Pão Nosso de Cada Dia - Subsídio Litúrgico-Catequético. Ano XX, nr. 12, 2025, p. 23-24.
Crédito da imagem: Fundação Nazaré.


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