Comentário do Evangelho da Festa da Dedicação da Basílica de São João de Latrão
Publicado em 08/11/2025 às 14:00 em Comentários.
• Escrito por Padre Antônio José de Almeida.
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Ao comemorarmos a dedicação da Basílica de São João do Latrão, uma das igrejas mais antigas de Roma, celebramos o Cristo Salvador, que é o verdadeiro templo no qual podemos encontrar, conhecer e adorar o Pai em espírito e verdade.
A Semente na Terra - Jo 2,13-22
Diferente dos Evangelhos sinótico, João mostra com poucos detalhes o ministério de Jesus na Galileia. Sua atenção se volta para os acontecimentos em Jerusalém. O evangelista narra logo na chegada a Jerusalém este episódio que os sinóticos irão guardar para o fim. Jesus chega ao templo e, por meio de suas ações e palavras, irá recordar o verdadeiro sentido da casa de Deus.
A páscoa dos judeus
Ao sinaliza que os acontecimentos vão ocorrer na páscoa dos judeus, João vai preparando a sobreposição que acontecerá: a festa judaica será sobreposta pela páscoa cristã. Jesus vai à festa, mas não para participar dela e sim para realizar um confronto com a prática de comércio e exploração que se realiza no Templo.
O Templo
Na época de Jesus, era uma megaestrutura, um edifício imponente com cerca de 1.500 metros de perímetro, reformado por Herodes, o Grande. Era um local historicamente dedicado ao culto e às festas litúrgicas. Como era um local de abundantes sacrifícios rituais, organizou-se ao seu redor uma série de estruturas comerciais para que eles acontecessem, atendendo aos inúmeros viajantes que chegavam em Jerusalém para prestar seu culto.
Vendedores de animais
Para os sacrifícios, era comum que os peregrinos comprassem os animais chegando ao templo. A oferta de pombas era a oferta dos pobres (cf. Lv 1,14-17; Lc 2,24), que não podiam trazer as pombas de casa, mas tinha que comprar no Templo, ou seja, mais uma forma de explorar os mais carentes. Certamente, havia outros grandes abusos em nome do Santuário. Muitas vezes, as ofertas não eram oferecidas a Deus, mas retornavam às bancas para serem vendidas novamente. Flávio Josefo (um historiador judeu que passou para o lado dos romanos) diz que um casal de pombas chegava a ser vendido até 150 vezes.
Cambistas
No templo, só era permitida a entrada de "moedas puras". Ora, em Israel tinha sido adotada como oficial a moeda de Tiro. Para comprar e ofertar no Templo, era necessário fazer o câmbio. Era o primeiro modo de explorar!
A expulsão
A presença de Jesus não só coloca em ordem o Templo, mas também simbolicamente mostra que os sacrifícios não são mais necessários quando o Filho de Deus está presente. Por isso, a casa de seu Pai não pode ser profanada.
Que sinal mostras?
Aos judeus, parecia um absurdo agir assim em um lugar tão tradicional. Por isso, mais uma vez, as "autoridades" questionam de onde vem a autoridade de Jesus. Contudo, ao pedir a ele um sinal, já reconhecem que sua ação havia sido profética.
Destruirei este Templo
Jesus faz um confronto com as autoridades: este Templo de pedras será destruído. A linguagem de Jesus é figurada: ele não iria de fato destruir o muro de pedras, mas referia-se às consequências da conduta pecadora do povo. O fim só poderia ser a destruição, já que o Templo de pedra já não era mais tratado como o lugar da presença de Deus.
Estava falando de seu corpo
O Evangelho de João coloca Jesus aqui como o novo e verdadeiro Templo em seu corpo ressuscitado. Jesus é a habitação de Deus aberta aos homens, lugar onde se manifesta a glória de Deus.
Permanência em Jerusalém
Jesus continuou em Jerusalém, mas parece que não participou da festa dos judeus. No entanto, continuava a fazer os sinais. Alguns chegaram a crer nele, mas parece que era muito superficialmente, não era uma conversão profunda que mostrasse a fé no Messias que Jesus revelava. O entusiasmo não é o mesmo que a conversão.
O Evangelho nos leva a ver Jesus como o novo Templo: em Jesus, não há espaço para estruturas caducas e vazias. Ele apresenta o templo como a casa do Pai, convidando-nos a ter com Ele uma relação filial no Filho, pelo Filho e para o Filho, que é a porta, templo e sacrifício.
Fonte: O Pão Nosso de Cada Dia: Subsídio Litúrgico-Catequético Diário, ano XX, nr. 239, novembro de 2025, p. 35-36.Crédito da imagem: Catequese de Italva.