Heresias: O Arianismo
Publicado em 24/04/2026 às 19:30 em História da Igreja.
• Escrito por Padre Anderson Rodrigo.
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O arianismo foi uma heresia doutrinal elaborada por Ário, um presbítero de Alexandria, no Egito. Essa heresia começa a ser propagada por volta do ano 315 e pautava-se na preocupação de Ário quanto à relação entre o Pai e o Filho na Santíssima Trindade e a questão da encarnação do Filho.
A visão ariana partia do pressuposto de uma subordinação radical: o Filho é subordinado ao Pai e o Espírito Santo também. O Logus (ou o Verbum [Palavra]) não é eterno como o Pai. O Logos recebeu a existência antes do tempo diretamente do Pai, como nenhuma outra criatura, mas ele não é da substância do Pai.
Assim, o Logos é ao mesmo tempo gerado e criado, não sendo Deus, senão por participação, como nós. O Logos é o intermediário entre Deus e o mundo. Para ser provado, o Logos teve que se tornar homem em seu sentido mais radical, de tal modo que no homem Jesus, o Logos tomou o lugar da alma humana.
Portanto, nesse sentido, Jesus não possuía alma humana, ou seja, não era nem Filho de Deus nem era plenamente humano.
A doutrina do arianismo foi condenada no primeiro Concílio de Niceia, em 325. Santo Atanásio, bispo de Alexandria, foi o principal defensor deste Concílio.
Apesar de os Concílios de Niceia e de Constantinopla I (381) terem proclamado a verdadeira fé da Igreja sobre a divindade de Cristo e do Espírito Santo, o arianismo sobreviveu, em diversas tendências, por muitos séculos, nas mais variadas regiões, principalmente entre os povos germânicos - godos, vândalos, lombardos - convertidos ao cristianismo.
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