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São Leão Magno, Papa e Doutor da Igreja

Publicado em 10/11/2025 às 00:30 em Vida dos Santos.
• Escrito por Administrador Observatório.
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São Leão Magno, Papa e Doutor da Igreja

Não se conhece ao certo a data em que São Leão Magno nasceu. Porém, provavelmente tenha nascido no ano 400. O primeiro acontecimento documentado da sua vida fala de sua ação, por mandato do Imperador Valentiniano III (424-455), no intuito de pacificar a Gália.

Em 440, desenrola-se, na Gália, quase que uma guerra civil entre as duas mais importantes autoridades romanas: o general Ézio e o prefeito Albino. São os tempos das 'invasões bárbaras' e o poder imperial encontrava-se enfraquecido a ponto de, para se conseguir a paz, o imperador mandou em embaixada o até então Diácono Leão, que foi conselheiro dos papas Celestino I (422-432) e Sisto III (432-440).

Em 440, Leão é eleito papa, com pequena margem de erro para mais e para menos. Seu pontificado durou 21 anos, sendo um dos mais longo da história. Nesses 21 anos de pontificado, passaram-se quatro imperadores: Avito, que não chegou a sequer esquentar o trono; Valentiano III, Petrônio Máximo e Maggioriano, assassinados.

Devido às invasões, o império foi afundando em crises. Através de um pulular de heresias e cismas, a Igreja - ainda jovem, com 300 e poucos anos - se vê atravessada por desencontros doutrinais, discussões intermináveis, dissensões que, muitas vezes, resultararam em cismas.

Leão - e o nome é uma missão - reforça a autoridade da Igreja de Roma e de seu bispo, o papa. É o primeiro papa a explicitar a autoridade universal, não só moral, mas também jurídica, do bispo de Roma. O abade Êutiques, muito influente em Constantinopla, no Oriente, defende que, em Cristo, existe uma só natureza (monofisismo) - a divina contra a doutrina da Igreja, que fala de duas natureza de Cristo, distintas, porém não separadas, na mesma pessoa, divina.

Êutiques consegue que o Imperador Teodósio convoque um concílio, em 449, em Éfeso, na Ásia Meno, atualmente Turquia. Neste concílio, só os eutiquianos falaram, enquanto os legados de Leão ficaram sem ser ouvidos. Ao invés de se resolver o problema, a situação se complica ainda mais, uma vez que foram aumentando os seguidores de Êutiques.

O papa, então, nega a validade deste concílio e convence o novo imperador, Marciano, a convocar outro, em 451. É o grande Concílio de Calcedônia - cidade próxima a Constantinopla - e, neste Concílio, é aprovada de forma solene as duas naturezas de Cristo: a divina e a humana, na unidade da pessoa, a divina.

Porém, não são todos que aceitam os termos aprovados pelo Concílio, gerando protestos com direito a lutas corporais com os membros armados com pedras. Esses protestos são ainda mais fortes na região da Palestina, que será palco de confusões ainda maiores no futuro.

Enquanto isso, no Ocidente, o que impera é o terror. O Império não dispõe mais de um exército e os hunos se reorganizam e avançam pelo norte da Itália, em 452, após um duro golpe sofrido pelas mãos de Ézio. Impotente, o Estado pede a Leão para negociar, como havia feito, a pedido de Valentiniano, para negociar a paz na Gália, quando ainda diácono.

Leão, acompanhado por uma delegação do Senado, partiu para negociar com Átila. Os dois se encontraram nas proximidades da cidade de Mantôva (= Mântua), no norte da Itália. Leão, então, consegue convencer Átila a deixar a península italiana e, assim, os hunos se afastam. Entretanto, em 455, os vândalos africanos, liderados por Genserico, cercaram Roma e a única autoridade a se levantar contra os vândalos e defender os romanos é Leão. Entretanto, o pontífice não conseguiu evitar o saque à Cidade Eterna em troca de os cidadãos romanos saírem incólumes. Contudo, conseguiu que a cidade não fosse incendiada.

São Leão Magno marcou a época em que viveu e tornou-se, acima de tudo, um grande cristão. Com isso, sentiu todo o peso da responsabilidade como sucessor de Pedro e do Apóstolo Paulo, que derramaram seu sangue naquela cidade, cuja Igreja ele, naquele momento da história, presidiu.

São Leão Magno continua a enriquecer a Igreja com o seu ensinamento, especialmente sobre a Encarnação. Pede obediência aos bispos, mas os reforça com sua proximidade e seus conselhos. Seus escritos são versados em um latim impecável, harmonioso, de tom simples e solene.

É um dos papas que recebeu o apóstrofo de "Magno" e percebe-se isso pelos mais variados motivos. Costuma-se dividir a história do papado na Igreja como "antes" e "depois" de São Leão Magno.

São Leão Magno faleceu no ano de 461 e começou a ser venerado como santo logo em seguida à sua morte. Foi sepultado na Basílica de São Pedro. Não há registros de qual pontífice o tenha beatificado e canonizado, por conta da ausência de documentos e por sua fama de santidade já cedo. Entretanto, o Papa Bento XIV o proclamou como Doutor da Igreja em 1754.

"Ó Deus, jamais permitis que as forças do mal prevaleçam contra a vossa Igreja, fundada sobre a rocha inabalável dos Apóstolos; concedei-lhe, pela intercessão do papa São Leão Magno, permanecer firme na vossa verdade e gozar de paz para sempre".
Crédito da imagem: Diocese de Amparo.
Fonte: O Pão Nosso de Cada Dia: Subsídio Litúrgico-Catequético Diário. Ano XX - nº 239, novembro de 2025, p. 37-38.

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