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Papa Leão e as catequeses sobre o Concílio, “estrela-guia” para o caminho da Igreja

Publicado em 09/05/2026 às 10:12 em Notícias do Vaticano.
• Escrito por Isabella Piro (Vatican News).
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Papa Leão e as catequeses sobre o Concílio, “estrela-guia” para o caminho da Igreja
Sessenta e um anos após a sua conclusão, o Concílio Vaticano II continua sendo uma bússola constante para a Igreja universal. Com essa convicção, no último dia 7 de janeiro, Leão XIV deu início ao novo ciclo de aprofundamento dedicado aos documentos do Concílio.

Dois fatores orientaram a sua escolha: a constatação de que «a geração de bispos, teólogos e fiéis do Concílio Vaticano II hoje já não existe mais» e «o apelo para não extinguir a profecia» do Concílio, mas sim para «continuar buscando caminhos e formas de pôr em prática as intuições». Acima de tudo, explicou o Papa, é importante conhecer o Concílio «não por meio de “boatos” ou das interpretações que foram feitas, mas relendo seus documentos e refletindo sobre o seu conteúdo». Reler os textos de 1965 significa, portanto, oferecer à Igreja a possibilidade de «perceber as mudanças e os desafios da era moderna» e de «colaborar na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna», permanecendo com os «braços abertos» para a humanidade, suas esperanças e angústias.

A humanidade integral de Cristo que revela o mistério divino

De 7 de janeiro a 6 de maio — excluindo a pausa para os Exercícios Espirituais da Quaresma e a viagem apostólica à África —, até o momento, foram 14 as reflexões do Pontífice dedicadas a duas Constituições dogmáticas: a Dei Verbum sobre a revelação divina e a Lumen gentium sobre a Igreja.

A primeira, eixo central de cinco catequeses, foi definida por Leão XIV como «um dos documentos mais belos e importantes da assembleia conciliar», pois recorda que Deus fala à humanidade e a convida à amizade com Ele. Cristo, de fato, é o rosto humano de Deus e sua existência histórica, da encarnação à ressurreição, manifesta plenamente o Pai. Não se trata de uma verdade que anula o humano, mas que o realiza: é justamente a humanidade integral de Cristo que torna visível o mistério divino, pois o Senhor «se encarna, nasce, cura, ensina, sofre, morre, ressuscita e permanece entre nós». Daí deriva uma visão dinâmica do cristianismo: ele se baseia na unidade entre Escritura e Tradição, consideradas um único “depósito” confiado à Igreja.

A esse respeito, o Pontífice alertou para dois riscos específicos: por um lado, uma leitura fundamentalista que interpreta os textos sagrados de forma isolada «do contexto histórico em que se desenvolveram e das formas literárias utilizadas». Por outro lado, negligenciar a origem divina da Escritura, acabando por entendê-la como «um mero ensinamento humano», um texto técnico ou já ultrapassado. Pelo contrário — foi a advertência de Leão XIV —, o Evangelho deve ser compreendido como «um espaço privilegiado de encontro, no qual Deus continua a falar aos homens e às mulheres de todos os tempos». Em um mundo saturado de palavras vazias, de fato, a Palavra de Deus se distingue como sempre nova, geradora e saciante para uma humanidade em busca de sentido e verdade.

A Igreja em favor dos pobres, explorados, vítimas, sofredores

Desde 18 de fevereiro, o Bispo de Roma tem centrado suas catequeses na Lumen gentium, à qual dedicou até agora oito reflexões. A partir delas, a Igreja surge como «sinal eficaz de unidade e reconciliação entre os povos» e «presença santificadora em meio a uma humanidade ainda fragmentada» por divisões e conflitos. Investida da missão de «pronunciar palavras claras» para rejeitar tudo o que mortifica a vida, a Igreja — destacou ainda o Papa — é chamada a «tomar posição» em favor dos pobres, dos explorados, das vítimas, dos sofredores. Em sua dimensão escatológica, de fato, ela é guardiã de uma esperança que ilumina o caminho.

Também é fundamental a reflexão que Leão XIV fez sobre duas dimensões eclesiais: a hierárquica e a escatológica. A primeira tem como objetivo perpetuar a missão confiada por Cristo aos Apóstolos, desde que nunca seja absolutizada. Pelo contrário: para corresponder plenamente à sua missão, as instituições eclesiais devem visar «uma conversão contínua, a renovação das formas e a reforma das estruturas». A segunda dimensão — definida como «essencial» — convida, além disso, a considerar a dimensão «comunitária e cósmica da salvação em Cristo», avaliando tudo nessa perspectiva.

Os leigos, cada vez mais testemunhas de justiça e de paz

O Pontífice reservou então uma atenção especial aos leigos, convidados a serem sempre testemunhas de justiça e de paz: seu «vasto campo» de apostolado não deve limitar-se ao espaço eclesial, mas alargar-se ao mundo, de modo a mostrar em toda parte a beleza da vida cristã. Por fim, o Papa retomou o tema da santidade: ela, disse Leão XIV, não é privilégio de poucos, mas compromisso de todos os cristãos na caridade. Em meio às perseguições do mundo, os fiéis são, portanto, exortados a deixar “sinais de fé e de amor”, empenhando-se pela justiça e vivendo a cada dia sua missão de conversão e testemunho.


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