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Homilia do 33° Domingo do Tempo Comum

Publicado em 15/11/2025 às 17:30 em Homilias.
• Escrito por Padre Anderson Rodrigo.
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Homilia do 33° Domingo do Tempo Comum
O convite deste 33° Domingo do Tempo Comum é o de permanecer na fé diante dos problemas da vida. Tal firmeza é testada nas dificuldades, nos sofrimentos que assolam de forma contínua a nossa vida. É nesta experiência (ou experiências) que abre-se a possibilidade de percebermos o quanto a fé nos encoraja e nos fortalece na caminhada.

Chegamos ao penúltimo domingo do tempo litúrgico. No próximo já estaremos celebrando o Domingo de Cristo Rei do Universo e encerrando a caminhada litúrgica deste ano. Nesse sentido, o sentimento litúrgico que vai aparecendo é o de reflexão quanto à caminhada que fizemos nesse período. Período que nos faz recordar que o tempo corre depressa e que a vida passa veloz. Portanto, "qual o sentido da vida?" é a pergunta filosófica que mais inquieta nesse tempo.

Há aquele gosto de "fim" das coisas, mas não no sentido de final, conclusão, mas de uma finalidade, um objetivo a ser alcançado. Certamente que nossa vida, em determinado momento, encontrará seu "fim" conclusivo, pois

"[...] Nossos dias todos passam sob tua cólera,
como um suspiro consumimos nossos anos.
Setenta anos é o tempo da nossa vida,
oitenta anos, se ela for vigorosa;
e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,
pois passam depressa, e nós voamos.
Ensina-nos a contar nossos dias,
para que venhamos a ter um coração sábio!".
(Sl 90(89) 9-10.12).

É esta a realidade à qual a Palavra de Deus quer nos colocar nos últimos dias deste ano litúrgico.

No Evangelho (Lc 21,5-19), Jesus recorda aos discípulos (e a nós) que a existência humana é breve, fugaz, incerta e provisória. É por isso que, na maioria das vezes, temos medo de recordar que nossa vida, neste mundo, é uma passagem. Nossa permanência eterna é na Casa do Pai. Para aqueles que se encantavam com o aspecto majestoso do Templo, Jesus recorda que "[...] dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído" (Lc 21,6). Assim, tudo é relativamente efêmero, passageiro, e vale até mesmo para nossos dias: para a casa, para o carro, para os projetos, para a profissão, para o dinheiro, crenças políticas e até a nossa própria vida neste mundo. Claro que o desejo de Jesus, neste Evangelho, é o de mostrar e recordar que nossa vida deve ser vivida tendo como perspectiva a eternidade. Buscar aquilo que é definitivo, perene... eterno.

Haverá um momento final, um Juízo do Senhor sobre nossa história e, quando isso acontecer, ficará claro, de uma vez por todas, as coisas que nos serviram e aquelas que não nos serviram; aquilo que teve valor perene e aquilo que teve valor passageiro; e nossa vida se encaminha para esse momento derradeiro e definitivo.

Diante disso tudo, os discípulos perguntam ao Senhor, na ansiedade peculiar de cada um, "Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas estão para acontecer?" (Lc 5,7). Seguramente, a curiosidade dos discípulos de outrora são as dos discípulos de hoje (nós). E, diante desse quadro, a resposta de Jesus apresenta-se em dois significados:

Em um primeiro momento, o Senhor mostra alguns sinais referentes à natureza: "[...] Haverá grandes terremotos [...] e acontecerão coisas pavorosas" (5,11); sinais referentes à vida humana: "[...] Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país" (5,10); e sinais referentes à nossa vida: "[...] Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu!'." (5,8). A manifestação do Senhor é que irá marcar tudo: a história, a criação, a vida! Nada ficará fora do Juízo de Deus, que se manifestará em Jesus Cristo.

Nossas atitudes serão confrontadas e pautadas com o amor manifestado na Cruz do Salvador. Toda a história humana será como que "passada a limpo" e tudo aquilo que foi pecado, falta de amor, maldade, será destruído! Toda a criação será transfigurada, passando deste mundo - como é agora - para o Novo Céu e a Nova Terra, na ação do Espírito Santo. Todos seremos examinados pelo Senhor de acordo com a perseverança na fé pessoal de cada um.

Em um segundo momento, seremos chamados à observância dos sinais que Jesus nos dá; sinais que acontecem em todas as épocas, porque sempre houve e sempre haverá confusões, guerras, revoluções, heresias, falsos profetas e falsos pastores no caminho da Igreja. É assim desde os primórdios da caminhada de fé.

Os sinais apontados por Jesus no Evangelho é para deixar claro que cada geração deve estar vigilante, recordando sempre que haverá, portanto, um dia em que estará diante do Senhor, devendo, assim, levar a sério tanto a fé quanto a adesão a Jesus, o Senhor. Isso se faz ainda mais forte e necessário em um mundo, em uma sociedade, cada vez mais distante de seu objetivo primordial. Em uma caminhada errada que nos faz esquecer que nosso caminho é o Senhor: Ele: o Caminho, a Verdade e a Vida! (cf. Jo 14,6).

Também a primeira leitura, do livro do Profeta Malaquias, nos coloca nessa dimensão do final da vida humana, que se encaminha para o "[...] dia abrasador como fornalha, em que todos os soberbos e ímpios serão como palha" (Ml 3,19) a se desfazer nas chamas. E "[...] o Senhor virá julgar a terra inteira" (Sl 97(98),9) com seu amor e justiça. A pergunta, então, é: "Seremos como os soberbos e os ímpios?".

Os discípulos nos deixaram o exemplo a seguir (cf. 2Ts 3,7): não viver na ociosidade e nem na apatia espiritual, que nos impele a fazer um caminho de esperança e de fé, rumo à santidade! Caminho que não está pronto e que apresenta-se cheio de espinhos, pedras e tantos obstáculo. Contudo, encontra-se, também, cheio da presença de Deus. Basta abrir nossos olhos e aceitar seguir confiantes e esperançosos com o Senhor.

Crédito da imagem: Diocese de Crato.

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